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O LEVIATÃ ADVENTISTA


Análise Sociológica da Forma de Governo da Igreja Adventista do Sétimo Dia

O título deste livro foi inspirado em Leviatã, obra clássica de Thomas Hobbes. Esse autor usa a imagem do Leviatã para apresentar, genialmente, a idéia do poder constitutivo da sociedade. Portanto, convém primeiro explicar o que significa a imagem do Leviatã para Hobbes e justificar a apropriação dessa imagem para caracterizar a organização da IASD...

Por Que Comparar a Organização da IASD ao Leviatã?

Thomas Hobbes nasceu na cidade de Westport, Inglaterra, em 5 de abril de 1588. Aos quinze anos ingressou na Universidade de Oxford, onde se formou. Foi um dos mestres da filosofia política inglesa. Escreveu várias obras sobre questões políticas. Leviatã (1651) é a mais importante. ...O título da maior obra de Hobbes reporta-se a um monstro marinho citado na Bíblia. Mas, no frontispício da primeira edição do livro, o Leviatã é representado como um gigante coroado. ...“O corpo da figura está formado por milhares de homenzinhos. Com a mão direita, o gigante segura uma espada (simbolizando o poder temporal) sobre um campo e uma cidade; na esquerda, ostenta uma cruz episcopal (símbolo do poder espiritual).” Note-se que o  poder eclesiástico é uma das fontes da formidável força do gigante.

No capítulo 17 de Leviatã, a criação do monstro coincide com a constituição da multidão em um corpo político. Hobbes explica como se constitui o corpo político: “É como se cada homem dissesse a cada homem: ‘Cedo e transfiro meu direito de governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembléia de homens, com a condição de transferires a ele teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as ações’. Feito isto, à multidão assim unida numa só pessoa se chama República, em latim civitas. É esta a geração daquele grande Leviatã”.

Ou seja, o corpo político existe quando as vontades de todos são depostas numa única vontade, e haja um depositário da personalidade comum. “O depositário desta personalidade —são palavras de Hobbes— é chamado soberano, e dele se diz que possui  poder soberano. Todos os restantes são súditos.” E acrescenta: este soberano pode ser “um único homem ou uma assembléia cuja vontade é tida e considerada como vontade de cada homem em particular”.

Segundo o Manual da IASD, os adventistas criaram sua gigantesca máquina administrativa com o mesmo propósito: coordenar e unificar os indivíduos que professam o adventismo mundo afora em um único corpo. O soberano dos adventistas, o depositário da vontade comum, é a Assembléia da Associação Geral ou a Comissão Executiva da Associação Geral entre as assembléias. É para esses grupos de homens que os adventistas transferiram seu direito de governar a si mesmos em assuntos religiosos.

No livro que hoje disponibilizamos através deste site, examinaremos e comprovaremos esta e as outras identidades do Leviatã Adventista.

Edegard Silva Pereira

 

Conheça o Pastor Edegard

Edegard Silva Pereira concluiu o ensino médio no Instituto Adventista do Uruguai.
Formou-se em Teologia no Colégio Adventista do Prata, Argentina. Em 1965 deixou seu país, o Uruguai, para exercer a atividade pastoral no Brasil.
Foi pastor nos distritos de Castanhal, PA; Macapá, AP; Presidente Prudente, SP; Freguesia do O, Vila Matilde, Casa Verde, Ipiranga e Brooklin Paulista na Cidade de São Paulo. Fez mestrados em Ciências da Religião e em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo.
Poucas pessoas têm se dedicado, como ele, ao estudo da organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Este trabalho é o resultado de mais de três décadas de experiência, reflexão e pesquisa.


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O Leviatã Adventista: Análise Sociológica da Forma de Governo da Igreja Adventista -- Por Edegard Silva Pereira

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Entenda Melhor o Propósito do Livro

Cada vez é mais difícil (especialmente para os mais lúcidos) aceitar a forma de governo da Igreja Adventista do Sétimo Dia como ela é. Existem coisas cuja obscenidade é insuportável, como a politicagem, o despotismo administrativo, a cobiça dos cargos, das vantagens pecuniárias, o fascínio do poder, que criam um ambiente interno brutal. Para muitos adventistas do sétimo dia, especialmente para os “obreiros” subalternos, a máquina da organização eclesiástica é uma fatalidade à qual devem se sujeitar.

Cresce o número de adventistas do sétimo dia que se mostram preocupados com a complexidade e o autoritarismo do controle administrativo. Porém, a maioria deles não sabe determinar com rigor qual é a causa desse fenômeno. Geralmente se pensa na necessidade de reduzir a quantidade exagerada de níveis de administração. Cogita-se em eliminar as “Uniões” ou as “Divisões”. Mas isso não atingiria a causa real que é outra: o conceito de poder adotado pela elite dominante da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Antes de fazer este estudo, eu pensava que a dominação era uma falha de algumas autoridades eclesiásticas. Hoje sei que a dominação é a essência do sistema.

Vivi dentro do sistema uma boa parte de minha vida. Foram nove anos de internato em colégios adventistas no Uruguai (quatro anos), na Argentina (três anos) e no Brasil (um ano), preparando-me para o pastorado. Depois foram mais de duas décadas exercendo a atividade pastoral na Missão Baixo Amazonas e na antiga Associação Paulista. Apesar de ter vivido décadas dentro do sistema, eu não o conhecia a fundo. A visão que eu tinha dele era idealista, ingênua.

Mas não pude deixar de perceber que muitos dirigentes adventistas têm um comportamento administrativo que se esquece da importância das pessoas, não faz justiça à palavra de Jesus e provoca angústia nos subalternos.

De onde vem esse comportamento repugnante que se esquece da importância das pessoas? Por que, em certos aspectos administrativos, os dirigentes adventistas manifestam uma insensibilidade terrível a certas instruções de Jesus? Perguntas incômodas como essas exigiam uma resposta, uma explicação.

Em 1985 resolvi enfrentar os paradoxos da forma de governo da Igreja Adventista do Sétimo Dia, fazendo o Mestrado em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo. A área de Religião e Ciências Sociais me oferecia a oportunidade para realizar um estudo sério nesse sentido. Em 1988 apresentei minha dissertação de mestrado Governo Eclesiástico. A Burocracia Representativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

O Leviatã Adventista é uma adaptação desse trabalho. Para tornar sua leitura mais leve, procurei eliminar um pouco o caráter acadêmico do trabalho original. Suprimi as notas de rodapé e escolhi outro título geral. Acrescentei os capítulos Apresentação do Monstro e O Mito do Modelo Divino, mudei os títulos dos capítulos e reescrevi parte do texto.

Espero que o leitor encontre nestas páginas uma compreensão do que realmente é a organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Porque existe uma diferença entre o que os adventistas do sétimo dia afirmam oficialmente ser a sua forma de governo eclesiástico e o que ela é de fato.

Meu objetivo aqui é mostrar o seguinte: 1) a forma de governo da IASD foi constituída usando o modelo de organização oferecido pela sociedade norte-americana —uma versão moderna do Leviatã—,  porém mantendo certas particularidades; 2) é uma forma mista de governo eclesiástico, composta por burocracia e representação política.

Minha intenção é convidar o leitor a abandonar algumas “evidências”, a desfazer-se de deslocamentos conceituais que geram confusões e equívocos. Não tenho a preocupação de agradar ou desagradar a quem quer que seja. Em certos momentos, será preciso ferir, de passagem, alguma forma de pensar, ou tomar a liberdade de desmentir outra, porém sem intenção polêmica.

A organização da IASD é compreendida só quando é confrontada com seu modelo real, e quando é vista como uma questão política e social. Aqueles que a enfrentam como sendo apenas um fenômeno religioso e a confrontam unicamente com o modelo imaginário apresentado pelo Manual da IASD, jamais conseguirão entendê-la.

Edegard Silva Pereira

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